Poliamor. Risos.

Por Anderson França



Ilustração: Claudio Brites



Poliamor. Risos.


Os homem não consegue nem aceitar o fim de um namoro, que mete faca na mulher, não consegue ouvir um não numa boate, que já chega no estupro, não consegue ficar num ônibus com uma mulher perto que já bate uma punheta na cara dela, quer poliamor.


Não consegue nem dar conta de um relacionamento, não tem responsabilidade emocional com UMA pessoa, não consegue ter nenhum relacionamento duradouro e maduro, nem de amizade, nem com mãe, nada, nem a porra de um cachorro caramelo tu tem, e acha que vai dar conta de poliamor.


Poliamor começa quando mulher parar de ser morta por homens. Quando elas inclusive puderem viver com quantos homens ou mulheres que quiserem ser levar um tiro de oitão na cabeça, ou facada no peito, ou ser jogada de prédio.


Vamo lá, amado. Eu quando vejo um homem matando, eu me vejo nessa estrutura. Todos temos responsabilidade estrutural no que aconteceu com elas. Você que é analfabeto funcional e acha que você não tem nada a ver com o último feminicídio cometido. A mão de cada homem enfia a faca no peito delas. É estrutural. Quer poliamor? Começa estancando a violência estrutural contra mulheres e extinguindo o feminicídio. A cultura do estupro. As violências psicológicas. As desvantagens profissionais. Tudo. A gente, enquanto gênero responsável por toda essa merda, a gente pode fazer isso.


A começar pela nossa reavaliação sobre que merda de homens tamo sendo no mundo. É um chamado pra dentro, pra conversão, pra mudança de caminho, pra arrependimento e práticas contrárias ao patriarcado.


Então, quando a gente virar gente civilizada, a gente fala de poliamor.


Vocês só querem comer todo mundo.


E ok. Se todo mundo quer ser comido, tudo bem. Mas isso tem outro nome. Putaria.


Não enfeita.


Poliamor tu não banca não.


Siga-me para mais chances de morrer de câncer.




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